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	<title>Arquivos Fabiana Ribeiro - Paratodos</title>
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	<description>Por um mundo que ninguém fica para trás</description>
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		<title>Direito ou privilégio?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Apr 2018 19:19:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma grupo, nada irrelevante, de pessoas que não acreditam na educação inclusiva. Sim, existe muita gente assim. A boa parte dos descrentes numa educação para todos nem é o professor. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/direito-ou-privilegio/">Continuar lendo<span> Direito ou privilégio?</span></a></p>
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<div></div>
<div>Há uma grupo, nada irrelevante, de pessoas que não acreditam na educação inclusiva. Sim, existe muita gente assim. A boa parte dos descrentes numa educação para todos nem é o professor. São amigos, colegas de trabalho, vizinhos, primos, pais da turma &#8211; gente bem comum. Que, em geral, só vai pensar no assunto quando a deficiência cai no colo de alguém bem próximo, da família ou não.</div>
<div>É uma turma que considera a inclusão um custo a mais para as escolas, uma dor de cabeça para os professores, uma amolação para os filhos, um atestado de privilégio para um grupo de alunos que não mereciam tanto. Em suma: uma perda de tempo. É, tem gente que pensa assim. Ainda. Não reconhecem que os filhos sem deficiência precisam sair da bolha da escola e lidar com o mundo real. E, no mundo real, as pessoas com deficiência estão nas ruas, nas praças, nos clubes, nos shows. E, sim, têm direitos. Portanto, são cidadãos &#8211; e não subcidadãos -, são alunos &#8211; e não subalunos -, e são indivíduos &#8211; e não subindivíduos.</div>
<div>Cabe às escolas educar a sua comunidade. Levantar o véu de ignorância que paira sobre a inclusão e apresentar a educação inclusiva como parte de sua filosofia. Como a Ética. Como a Liderança. Como a Reciclagem. Enquanto as escolas não colocarem todos na mesma página, sempre haverá pais que vão achar que adaptação curricular é privilégio, que mais tempo para fazer a prova é privilégio, que mediação é privilégio, que respeito às diferenças é privilégio. É direito.</div>
<div>Muita vezes os argumentos são que uma sala de aula para todos já é por si só para todos. Todos quem? Todos quem, menos quem? A inclusão vem corrigir justamente isso. Vem corrigir as distorções, aproximar extremos, trazer a equidade para a sala de aula. A teoria é linda, ora, ora. Mas o que dizer a uma criança que não entende o fato de o colega de turma ter tido tempo a mais para fazer a prova de matemática e apoio de um mediador, enquanto ele não conseguiu terminar toda a sua prova no tempo regulamentar? O problema não está na pergunta. Dúvidas, curiosidades e questionamentos sempre existirão e fazem parte de um crescimento saudável. A preocupação recai na resposta. Quem responde a essa criança? Quem responde o quê a essa criança?</div>
<div><em>(Aliás, se quiser saber se a sua escola é inclusiva, está aí uma boa pista. O que a sua escola responderia a este aluno? Eis a verdadeira questão). </em></div>
<div>Falta informação. Falta informação para todos os lados. De todo tipo. E esse desconhecimento geral traz um conta pesada no futuro. Afinal, é preciso lembrar que as pessoas com deficiência não têm as mesmas possibilidade de escolhas que pessoas sem deficiência. Basta, pois, olharmos alguns números.  Sem uma educação inclusiva eficiente, as escolas reproduzem desigualdades que saem da escola e desembocam no mercado de trabalho. Tanto assim que  menos de 1% das pessoas com deficiência no país estão no mercado de trabalho. Se a escola não for cada vez mais inclusiva e compromissada com o aluno com deficiência, o resultado é um futuro sem possibilidades ou direito a escolhas.  Sim, são essas distorções da realidade como essa que explicam e mais que justificam a importância, a relevância e urgência de a inclusão ocupar todas as escolas. Todas.<br />
Sempre haverá quem não goste ou se incomode com a inclusão. É bem verdade, sempre haverá. Sempre haverá também quem discorde das leis que estão em vigor. Discordar, isso também é direito. Só que educar esse pais também é papel da escola que se pretende inclusiva. Informar e, de quebra, envolver.</div>
<div></div>
<div></div>
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		<title>Todos são alunos da sua escola?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Apr 2018 17:58:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sempre falamos que, enquanto precisarmos usar a palavra inclusão, é porque ainda estamos distante de uma educação acessível - e agradável - a todos. Ou seja: incluir todo e qualquer aluno deveria ser o objetivo maior da educação. Deveria ser algo natural. Mas, como a realidade nos mostra, não é bem assim que a banda toca.  <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/todos-sao-alunos-da-sua-escola/">Continuar lendo<span> Todos são alunos da sua escola?</span></a></p>
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<p>Sempre falamos que, enquanto precisarmos usar a palavra inclusão, é porque ainda estamos distante de uma educação acessível &#8211; e agradável &#8211; a todos. Ou seja: incluir todo e qualquer aluno deveria ser o objetivo maior da educação. Deveria ser algo natural. Mas, como a realidade nos mostra, não é bem assim que a banda toca. Nem todos são alunos da sua escola.<br />
Tudo que se organiza dentro da escola, como planos de aula, área dos parquinhos, espaço de quadras, é pensado para um tal &#8220;aluno&#8221;. Só que as escolas precisam reconhecer que existem, dentro de seus muros, grupos que não correspondem ao que chama de forma generalista de &#8220;aluno&#8221; &#8211; termo universal que, sem dúvida, deixa de fora uma parcela de estudantes. Pergunto: os planos de aula, provas, viagens ou quaisquer outras estratégias de ensino são montadas já incluindo quem não corresponde a essa média? A verdade é que os alunos em situação inclusão estão fora dessa concepção de igualdade a que o título &#8220;aluno&#8221; sugere. E, por isso, são desconsiderados quando um professor pensa na ementa da sua disciplina, no seu plano de aula ou no passeio de uma turma. São ignorados, tidos com invisíveis, deixados de lado.<br />
Então, se há vários alunos dentro da categoria &#8220;aluno&#8221;, uma educação para todos não pode ser uma educação universal, moldada para o tipo mais comum de aluno. Afinal, há alunos diferentes com demandas diferentes &#8211; que também precisam ser respeitadas. Infelizmente, o modelo atual vigente nas escolas reafirma as desigualdades em sala de aula, aumentando as distancias entre os próprios alunos &#8211; e do professor. Confere espaço para propagação de preconceitos e abre brechas para o bullying. Sem falar na situação de isolamento com que muitas crianças e adolescentes precisam lidar no dia a dia.<br />
A universalidade, insisto, reproduz a desigualdade. Porque não reconhece a existência de grupos que não atendem ao padrão, ficando à margem dos planos da escola. A esses alunos, a escola não iguala as oportunidades do aprendizado, em vez disso, lhes  tira autonomia, voz e reduz as possibilidades. Invisíveis, ficam sem espaço.<br />
Não se pretende aqui, porém, que a escola não tenha parâmetros ou mesmo uma base mais comum para traçar suas estratégias mais gerais. Não, não é isso. Caso contrário, teríamos anarquias pedagógicas nos espaços escolares. Entretanto, o que se pretende é ressaltar a importância de incluir os alunos com deficiência nas estratégias mais gerais e corriqueiras da instituição de ensino. O que se reconhece como urgente (não esqueçamos que as crianças crescem) é que a categoria aluno possa incluir, de fato, os alunos com deficiência. Para que todos, sem exceção, possam se enxergar como aluno, possam se sentir efetivamente como aluno e possam bradar aos quatro cantos: eu sou aluno da minha escola.</p>
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		<title>Pessoas negras não moram no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Mar 2018 19:38:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dia desses, fui levar meus filhos ao cinema. Era numa dessas salas mais especiais, com algum atrativo mágico além do filme. Saímos de carro, cruzamos a Zona Sul do Rio e partimos pra Barra da Tijuca. O filme? Não lembro. Mas da nossa conversa do carro não esqueço. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/pessoas-negras-nao-moram-no-brasil/">Continuar lendo<span> Pessoas negras não moram no Brasil</span></a></p>
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<p>Dia desses, fui levar meus filhos ao cinema. Era numa dessas salas mais especiais, com algum atrativo mágico além do filme. Saímos de carro, cruzamos a Zona Sul do Rio e partimos pra Barra da Tijuca. O filme? Não lembro. Mas da nossa conversa do carro não esqueço.</p>
<p>No caminho, inspirada numa reportagem que li sobre a filósofa Djamila Ribeiro, lancei o seguinte desafio a meus filhos: observem quantos <a href="https://revistacrescer.globo.com/Voce-precisa-saber/noticia/2017/06/mae-denuncia-racismo-em-livro-de-atividades-escolar-do-filho.html">negros</a> vamos encontrar no cinema. Meu caçula, no entanto, se adiantou:<br />
&#8211; Poucos ou mesmo nenhum &#8211; disse ele, seguro como sempre.<br />
&#8211; Nós nem chegamos ainda. Como você sabe? &#8211; indagou o irmão.<br />
&#8211; Eu sei porque as <a href="https://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2016/09/menina-emociona-em-discurso-sobre-preconceito-racial.html">pessoas negras</a> não moram no Brasil. Eles não são daqui.</p>
<p>Um minuto de silêncio pra minha alma se recuperar. A expressão no rosto do meu mais velho também era um reflexo do meu espanto.</p>
<p>&#8211; Se não há negros no Brasil, filho, onde eles moram?<br />
&#8211; Num país distante. Longe daqui.<br />
&#8211; Mas temos negros aqui, meu filho.<br />
&#8211; São turistas. Vieram de lá. Vem só pra passear mesmo. São visitas na cidade&#8230;<br />
&#8211; Não fala besteira &#8211; cortou o irmão.</p>
<p>Mais um minuto pra me recuperar e me reestabelecer do tapa que levei. A conversa prosseguiu como se faz nessas horas. Mas me questionei o que ando fazendo com essas crianças. Em que país meu filho vive? Em que mundo nos escondemos? Quando comecei a murar a minha família em guetos tão exclusivos a ponto de ele não reconhecer a cor da gente de seu país? Que também é negra, assim como parte da sua própria família. Sua percepção da realidade estava opaca, uníssona, desbotada, torta, branca. E eu estava em choque.</p>
<p>Na fala do meu caçula, não vi <a href="https://revistacrescer.globo.com/Familia/noticia/2016/12/por-que-ela-branca-familia-sofre-preconceito-e-mae-desabafa.html">preconceito</a>. Não era esse o meu ponto. Mas atesta falta de convivência &#8211; vital para que a diversidade seja vivenciada. Fundamental para que se conheça as diferenças, que podem estar  na cor da pele, no tipo de cabelo, na forma de falar, no jeito de pensar, numa opinião oposta à nossa. Crucial para que não se reconheça como turistas aqueles que também formam a identidade da população brasileira.</p>
<p>Assim, é com a inclusão &#8211; na prática, as demandas das minorias se aproximam: o que se quer é pertencimento. Precisamos mostrar para os nossos filhos que pessoas com deficiência não estão aqui a passeio. Não são turistas na escola, no clube, no trabalho, nas praças. Não são visitas. Porém, se os guetos exclusivos persistirem, negamos a existência de um grupo de brasileiros. Afinal, não reconhecemos aqueles que não vemos. Seguem como turistas no seu próprio país, passeando pelas sombras do mundo real.</p>
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<hr />
</div>
<h6>* Texto publicado originalmente em 21 de março de 2018 na coluna Incluir para Crescer do site da revista Crescer</h6>
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		<title>Os sentidos que nos confundem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Feb 2018 12:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lá estava eu na praia de Coqueirinho, na Paraíba, ouvindo Marisa Monte e vendo de longe meus filhos brincarem com o pai. Que cena linda. Tranquila, muito tranquila. Eis que duas senhoras interrompem o meu sossego para pedir que eu olhasse as suas bolsas, já que  elas queriam mergulhar sem riscos de surpresa na volta. Não entendi quando falaram comigo pela primeira vez.  <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/os-sentidos-que-nos-confundem/">Continuar lendo<span> Os sentidos que nos confundem</span></a></p>
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<p>Lá estava eu na praia de Coqueirinho, na Paraíba, ouvindo Marisa Monte e vendo de longe meus filhos brincarem com o pai. Que cena linda. Tranquila, muito tranquila. Eis que duas senhoras interrompem o meu sossego para pedir que eu olhasse as suas bolsas, já que  elas queriam mergulhar sem riscos de surpresa na volta. Não entendi quando falaram comigo pela primeira vez. Então, para ouvi-las melhor, eu retirei os óculos escuros. Nada escutei, obviamente; em seguida, me livrei dos fones. Nesta ordem. Deu certo.Isso me lembrou das pessoas que colocam os óculos pra ouvir melhor. E o que dizer daquelas que trocam de óculos para aguçar melhor os sentidos?! Ou as que precisam desligar a televisão, mesmo com volume reduzido, para entender melhor uma conversa. E o que dizer de quem precisa ter algo nas mãos para falar melhor? E quem não conhece aquele que rabisca no caderno enquanto ouve uma explicação ou fala ao telefone? Tem de tudo.</p>
<p>É uma lista sem fim. Somos uma confusão de sentidos. Mas precisamos usá-los a nosso favor. Agora entendo quando uma terapeuta recomendou há alguns anos para deixar meu caçula brincar com um lápis ou um boneco qualquer durante uma explicação na escola. Confesso, na época, não tive maturidade pra passar isso para a professora. Erro meu.<br />
Na verdade, ficamos sempre querendo nos encaixar num padrão, no que a média chama de normal. Até pouco tempo me via pedindo para uma menininha linda me olhar enquanto conversávamos e para parar de andar de um lado para o outro. Pra que isso? Por que impor a ela o que é melhor para mim? Em vez disso, não deveria estar mais ocupada com o que ela tinha a me dizer?</p>
<p>Lutar contra esse velho hábito, de nos colocar em caixas e padrões, é difícil pra caramba. Tem mais a ver com a gente do que com o outro. Com sentimentos contraditórios dentro de nós. Preste atenção em si, logo vai entender do que estou falando. E, se precisar, tire os óculos pra ouvir melhor. (Fabiana Ribeiro)</p>
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		<title>Taís, eu aceito o seu convite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Nov 2017 19:48:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu aceito o seu convite para que todos tenham as mesmas possibilidades.<br />
Eu aceito o seu convite de olhar para o outro com afeto. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/tais-eu-aceito-o-seu-convite/">Continuar lendo<span> Taís, eu aceito o seu convite</span></a></p>
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		</div>
	</div>

	<div class="wpb_text_column wpb_content_element ">
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			<p>Eu aceito o seu convite para que todos tenham as mesmas possibilidades.<br />
Eu aceito o seu convite de olhar para o outro com afeto.<br />
Eu aceito o seu convite de entender que o outro é uma extensão de mim.<br />
Eu aceito o seu convite porque, assim como você, eu também quero criar filhos livres e corajosos. Quero filhos doces num mundo tão ácido.<br />
Mas seu convite não é para uma festa. É para a vida. Para a vida em sociedade. E essa tal sociedade não é nada além de nós. É um convite, pois, para viver entre nós.<br />
Nós, que somos tão plurais.<br />
Nós, que somos tão diferentes.<br />
Nos, que somos parte de um mundo tão desigual.<br />
Seu convite é um desafio. E eu estou dentro de um desafio tão libertador. Quero, sim, melhorar a vida dos meus filhos. E, como e com você, quero melhorar a vida de todo mundo. Seja na escola, seja no trabalho, seja na praça.<br />
Também acredito que as diferenças só se tornam problema quando causam desigualdades. Nessa hora, as causas se cruzam. Negros, indígenas, mulheres, homossexuais, trans, pessoas com deficiência e quem mais couber nesse pote que se chama de minoria. Só vamos descansar &#8211; eu, você e quem mais se juntar a nós &#8211; quando as diferenças não trouxerem o significado implícito de inferior, desimportante, segunda categoria, desprezível, menor.<br />
Seu convite é irrecusável. Seu convite é uma declaração de amor. A essa mesma sociedade &#8211; racista, preconceituosa, cruel &#8211; onde negamos nossos próprios pecados e expurgamos quem nos desafia.</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div>
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		<title>Conhecemos mesmo nossos filhos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 17:24:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O recente caso do jovem que atirou em alunos de uma escola em Goiânia reacendeu o debate sobre bullying. Afinal, esse teria sido o motivo de toda a sua raiva contra seus colegas. Precisamos, porém, ir mais além. A  <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/conhecemos-mesmo-nossos-filhos/">Continuar lendo<span> Conhecemos mesmo nossos filhos?</span></a></p>
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<p>O recente caso do jovem que atirou em alunos de uma escola em Goiânia reacendeu o debate sobre bullying. Afinal, esse teria sido o motivo de toda a sua raiva contra seus colegas. Precisamos, porém, ir mais além. A tragédia precisa nos fazer repensar sobre o tipo de pais que somos para nossos filhos. E, assim, nos questionar: Será que conhecemos mesmo nossas crianças?<br />
Educar exige proximidade, intimidade com o rebento. Requer olho no olho. Implica dizer mais “não” do que “sim”. Envolve colo, noites em claro, conversas sem fim. É o amor fora das teorias. Mas até aí zero novidade. Se sabemos disso, o que anda dando errado por aí? Chutaria dizer que há uma nuvem de desinteresse pelos filhos rondando as famílias. Uma preguiça danada. E isso não nos faz sequer saber a cor preferida dos filhos&#8230; Sem saber o básico, impossível perceber que um filho persegue um colega, chega triste da escola, não tem amigos, tem tiques, não recebe telefonemas nos fins de semana ou mudou de humor repentinamente. Pobres órfãos.<br />
Pais com pouco contato com filhos perdem oportunidade de conhecê-los e, daí, educá-los. Educar é responsabilidade diária, oriunda de convívio. É no dia a dia que se educa. Nos erros pra se acertar. E precisamos aproveitar as oportunidades para orientar nossos filhos. Todas.<br />
Lembro uma vez que um dos meus filhos  me contou sobre um menino da escola que vinha sendo zoado por alguns colegas da turma. Me contou o caso num misto de pena com piada. A ele, apenas perguntei: o que você fez diante disso? Ele se calou. Não havia feito nada. O nada dele encarou o meu desapontamento. Nada?, perguntei. Em sua defesa, ele disse que não estava entre os que zoavam o garoto, por outro lado, admite ter rido de alguns comentários. Ao me contar o caso, meu menino busca a minha opinião &#8211; melhor, quer a minha orientação. Esperava por mim &#8211; sua mãe.<br />
Pais precisam se posicionar diante dos filhos. Para que seus filhos, mesmo que não tenham a mesma opinião de seus pais, se posicionem na vida. E não sejam levados pelo bonde da maioria. Porque o bonde pode ser cruel. Tão mais cruel com pessoas com deficiência, aliás. Crianças com deficiência são, em geral, mais vulneráveis ao bullying real e ao virtual. Acabam sendo mais expostas a comentários jocosos e/ou maldosos que ganham apoio dos que nada falam, mas riem e gargalham.<br />
Pode ser que leve meses ou anos para que esse meu filho se posicione contra uma maioria. Pode ser que demore a não rir de uma piada que ofenda sem querer um colega. Mas cabe a nós, pais, causar esse desconforto  &#8211; e não, nunca, jamais, rir junto da piada. Isso se aprende. E meu filho está aprendendo também.</p>
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*Texto originalmente publicado, em 1/11/2017, na coluna Incluir para crescer, do site da revista Crescer.</h6>
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		<title>Enem: inclusão foi a zebra da vez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2017 17:52:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nunca tanta gente pensou em inclusão como no último domingo. Do Oiapoque ao Chui, milhares de estudantes tiveram de escrever sobre os desafios da inclusão escolar das pessoas com deficiência auditiva no Enem. Do lado de fora, as pessoas debatiam o assunto com textos apaixonados, ultrajados, reflexivos ou acusadores.  <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/enem-inclusao-foi-a-zebra-da-vez/">Continuar lendo<span> Enem: inclusão foi a zebra da vez</span></a></p>
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<p>Nunca tanta gente pensou em inclusão como no último domingo. Do Oiapoque ao Chui, milhares de estudantes tiveram de escrever sobre os desafios da inclusão escolar das pessoas com deficiência auditiva no Enem. Do lado de fora, as pessoas debatiam o assunto com textos apaixonados, ultrajados, reflexivos ou acusadores. Vídeos contra, vídeos a favor. Ativistas, mães, estudantes, educadores, todos tinham alguma opinião sobre o assunto.<br />
A inclusão foi a zebra da vez mesmo. As apostas para o tema recaíam sobre homofobia, violência, mobilidade urbana, bullying e noticias falsas na internet. Ninguém sequer cogitou a inclusão. Deram mole. Afinal, não é de hoje que o Enem aborda a agenda das minorias e das desigualdades. Os alunos já tiveram que discorrer anteriormente sobre violência contra a mulher, intolerância religiosa, racismo, diferenças e, neste ano, sobre educação inclusiva de pessoas com deficiência auditiva.<br />
As apostas das escolas e dos cursinhos nos temas não são à toa. Os alunos treinam redação. Faz parte da rotina massacrante de estudos para se passar no Enem. Treinam &#8211; e há até quem decore &#8211; a estrutura e os argumentos dessas apostas. Porém, para falar de inclusão, não houve treino. Em vez disso, deveria ter havido vivência e convivência ao longo da vida escolar. Deveria &#8211; do verbo não-é-bem-assim-que-a-banda-toca. Assim, escrever sobre inclusão, de pessoas com deficiência auditiva ou de alunos com qualquer outra deficiência, seria feito com naturalidade. Afinal, é mais fácil para qualquer um escrever sobre aquilo com que lida no dia a dia. As grandes dificuldades seriam a grafia correta das palavras, a pontuação e, sim, a crase.<br />
Ao focar somente nos rankings do Enem, as escolas prejudicaram seus alunos no próprio Enem. Aliás, vem prejudicando ano a ano ao ignorar a diversidade que estampa as ruas da nossa cidade. Diversidade cultural, de gênero, de ideologias, de pensamentos, de vida. E, ao ignorar o mundo ao redor, domingo foi um dia bem difícil para milhares de alunos. Difícil, mas, sem dúvida, necessário.</p>
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		<title>Molho para todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2017 11:01:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inclusão no molho dos outros é refresco. Foi o que pensei quando fechei a tampa do dia do aniversário do Pedro, meu filho mais velho. E, em seguida, comemorei: o marido fora mais inclusivo do que eu – logo eu, tão atenta aos detalhes da inclusão e aos dilemas das pessoas com deficiência.  Bem, senta que lá vem história. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/molho-para-todos/">Continuar lendo<span> Molho para todos</span></a></p>
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<p>Inclusão no molho dos outros é refresco. Foi o que pensei quando fechei a tampa do dia do aniversário do Pedro, meu filho mais velho. E, em seguida, comemorei: o marido fora mais inclusivo do que eu – logo eu, tão atenta aos detalhes da inclusão e aos dilemas das pessoas com deficiência.  Bem, senta que lá vem história.<br />
Era para ser um aniversário para poucos amigos e familiares num domingo de sol. E o menu seria daqueles que criança gosta: o bom e velho macarrão. Resolvi oferecer o molho à bolonhesa e o preferido do aniversariante – o de linguiça preparado pela avó. Os molhos seriam expostos em tigelas separadas à mesa, lado a lado com a travessa de macarrão sem molho algum. Agradaria a gregos, romanos e troianos. Só esqueci dos persas.</p>
<p>Ainda nos preparativos, inclusiva que sou, lembrei que havia pessoas que não gostam de nem um nem de outro molho. E que, portanto, poderia ser gentil oferecer o tradicional molho ao sugo também. Para facilitar a (minha) vida, decidi que o molho de tomate permaneceria na cozinha. Eu poderia trazer o prato já feito para a pessoa que optasse pelo molho sem carne. Descer com mais uma travessa seria de grande trabalho (!) e, sem falar, eram poucas, pouquíssimas, as pessoas que prefeririam essa opção mais simples.<br />
Feliz com a minha logística dos cardápios, dividi com o marido como organizaria o bufê, onde ficariam os talheres, os pratos que usaria, o lugar dos copos, a decisão de não usar toalha na mesa principal e, por fim, a arrumação dos molhos.<br />
&#8211; &#8230;então, eu coloco dois molhos em tigelas e o terceiro fica lá na cozinha. Posso trazer para quem quiser ou a pessoa vai até lá. Já os copos&#8230;<br />
Então, nessa hora, o marido desperta do sono profundo para onde a nossa conversa o conduzia. E me provocou:<br />
&#8211; Nossa, que inclusiva!<br />
&#8211; Oi?<br />
&#8211; Cadê a sua inclusão? Nos molhos?<br />
Foi o suficiente para que eu me desse conta da exclusão a que estava prestes a proporcionar a uma parte, mínima, de meus convidados. Uma falta de educação. Uma indelicadeza. Um constrangimento.<br />
A tempo, revi minha estratégia. E apertada entre uma e outra tigela de molho, lá estava o suculento molho ao sugo. Acessível a todos os convidados. A vegetarianos, veganos e a quem mais quisesse experimentar o maravilhoso molho ao sugo do aniversário de meu filho mais velho.<br />
Inclusão no molho dos outros é refresco mesmo. Pensamos que são necessárias mil estratégias para incluir o outro, inúmeros planos para não deixar ninguém de fora. Apontamos dedos. Criticamos o vizinho mesmo tendo um telhado de vidro bem frágil. Inclusão é exercício diário. Que nem sempre tem a ver com deficiência. Porque, no fundo, não tem. Tem a ver em incluir o outro, independentemente de quem seja, em pensar no outro e, principalmente, fazê-lo se sentir parte de um grupo. Tem a ver com respeito. E isso pode ser numa escola, numa partida de futebol, no trabalho ou simplesmente na macarronada de um domingo especial.</p>
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<h6>* Texto originalmente publicado na coluna <em><strong>INCLUIR PARA CRESCER,</strong></em><strong> </strong>do site da revista Crescer.</h6>
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		<title>Nem todos conseguirão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2017 14:31:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É verdade, nem todos conseguirão. Nem todos conseguirão permanecer 50 minutos concentrados nos meandros da Inconfidência Mineira. Nem todos conseguirão entender que toda-proparoxítona-tem acento. Nem todos conseguirão entender sequer o que é proparoxítona. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/nem-todos-conseguirao/">Continuar lendo<span> Nem todos conseguirão</span></a></p>
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<p>É verdade, nem todos conseguirão. Nem todos conseguirão permanecer 50 minutos concentrados nos meandros da Inconfidência Mineira. Nem todos conseguirão entender que toda-proparoxítona-tem acento. Nem todos conseguirão entender sequer o que é proparoxítona.<br />
E as leis da física? Nem todos. Nem todos conseguirão entender que a química orgânica não se trata apenas de carbono (não?). Nem todos conseguirão descobrir o x da questão – muito menos o y e o z. Nem todos conseguirão entender que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Fácil, né? Mas nem todos.<br />
Nem todos conseguirão entender o past perfect. Nem todos conseguirão entender que blue pode significar mais do que uma cor. Nem todos conseguirão entender o mistério de Capitu ou o drama de Pinóquio e os medos da Chapeuzinho Amarelo. E alemão? Nem todos. Nem todos vão entender os motivos das grandes guerras, as razões dos conflitos entre israelenses e palestinos e muito menos a política na América do Sul.<br />
Nem todos.<br />
Nem todos com deficiência? Ou nem todos? Mas todos, todos, todos, sem exceção, precisam estar em sala de aula. Para aprender ou apenas ter a mesma chance de tentar.</p>
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		<title>Paratodos na Crescer: &#8220;Nossos filhos incríveis&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Sep 2017 11:14:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nossos filhos incríveis são inteligentes. Tíssimos, eu diria. Os boletins não nos deixam mentir. Certamente, quando há algo errado ali numa nota ou noutra, o erro é da escola - com seus métodos de ensino antigos e aulas pouco atrativas. São os gênios da matemática, futuros Machados ou Clarices, verdadeiros Di Cavancantis. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/paratodos-na-crescer-nossos-filhos-incriveis/">Continuar lendo<span> Paratodos na Crescer: &#8220;Nossos filhos incríveis&#8221;</span></a></p>
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<p>Nossos filhos incríveis são inteligentes. Tíssimos, eu diria. Os boletins não nos deixam mentir. Certamente, quando há algo errado ali numa nota ou noutra, o erro é da escola &#8211; com seus métodos de ensino antigos e aulas pouco atrativas. São os gênios da matemática, futuros Machados ou Clarices, verdadeiros Di Cavancantis.</p>
<p>Nossos filhos incríveis são os alunos dos sonhos. Não desrespeitam o professor, nem com gestos ou com palavras. Fazem seus deveres assim que chegam da escola. Não escondem de nós os bilhetes na agenda. Estudam &#8211; com ou sem a nossa supervisão. Fazem silêncio na hora do silêncio; sentam adequadamente para assistir às aulas. Chegamos a não compreender quando, nas reuniões, recebemos queixas da turma. O problema são os outros.</p>
<p>Nossos filhos incríveis são os amigos que todos gostariam de ter. Não provocam ninguém. Não fazem bullying. Por vezes, sofrem bullying. Não batem, revidam, no máximo. Podemos lembrar de uma ou outra vez que a escola ligou ou chamou para relatar algo inadequado. Normal. Coisa de criança. Mas sabemos muito bem que brigar na escola, responder professor, chatear colega, nada disso é coisa de nossos filhos. E sempre desconfiamos de alguma criança que não seja tão boa influência assim para nossos rebentos. Nossos filhos não são desses. E nós estamos de olho. Sempre.</p>
<p>Nossos filhos incríveis são educados. Dão bom dia ao porteiro e cedem o lugar no metrô para pessoas mais velhas. Não furam fila. Jogam lixo no lixo. Sabem esperar. Aceitam os nãos da vida. Levam o prato para a pia.</p>
<p>Nossos filhos são antenados. E, sim, vivem no celular. Pressão do grupo, claro, pois, na certa, eles iam preferir um bom livro. Difícil não ceder. Mas não são deles os palavrões, as grosserias com amigos, os vídeos inadequados, os xingamentos, os palavrões, os áudios surpreendentes. Jamais se envolvem em boatos que podem magoar qualquer pessoa. Aliás, não se envolvem em confusões, muito menos as virtuais.</p>
<p>Nossos filhos incríveis fazem coisas incríveis. Tão incríveis que nem acreditamos. E, por não acreditar no que esses filhos incríveis são capazes de fazer, por vezes, deixamos de ensiná-los sobre respeito, diversidade, diferenças. Afinal, estamos sempre achando que nunca serão os nossos filhos a perseguir um colega com síndrome de Down ou uma criança com autismo. Não, não são capazes de agredir física ou verbalmente um aluno mais vulnerável, seja ele apenas mais baixo, tímido ou com algum déficit intelectual.<br />
A verdade é que, enquanto acharmos que nossos filhos são incríveis, jamais os educaremos. Em vez disso, apenas os adoraremos.</p>
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<h6>* Texto originalmente publicado, em 20/07/2017, na coluna INCLUIR PARA CRESCER do site da revista Crescer</h6>
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