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	<title>Arquivos síndrome de Down - Paratodos</title>
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	<description>Por um mundo que ninguém fica para trás</description>
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		<title>É hoje o dia!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Mar 2016 01:09:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carla Codeço]]></category>
		<category><![CDATA[Ciça Melo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje, 21 de março, é o dia Internacional da Síndrome de Down. A síndrome de Down faz parte da vida de muitas famílias. <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/e-hoje-o-dia/">Continuar lendo<span> É hoje o dia!</span></a></p>
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<p>Hoje, 21 de março, é o dia Internacional da Síndrome de Down.<br />
A síndrome de Down faz parte da vida de muitas famílias. De uma maneira tão inteira e tão natural que este ano nós pensamos em não escrever nada nesta data. Porém, quando soubemos hoje que um menino de sete anos com síndrome de Down foi trancado no banheiro por seu colega. Pensamos que ainda é preciso celebrar uma data como essa. Até que a sociedade tenha informação o bastante para não ser preconceituosa. Para enxergar a pessoa em primeiro lugar e não a síndrome.<br />
Temos que celebrar sim porque para muitas pessoas a síndrome de Down ainda é um bicho de sete cabeças. Para muitas pessoas a síndrome de Down ainda é um presente especial para alguns escolhidos. Para muitas pessoas a SD é um selo de pureza, amor e abraços infindáveis. Para muitas pessoas as pessoas com Down são dignas de pena. São anjos na terra, são pessoas sem maldade.<br />
Escrevemos para registrar que as pessoas com Down são apenas pessoas. Com muito mais características herdadas de suas famílias do que do cromossomo extra. Cada um com seus encantos, cada uma com suas dificuldades. Porque ter Down faz parte da vida!<br />
E ser covarde ainda é a realidade de muitos na nossa sociedade! Que possamos um dia não ter que escrever neste dia. Ou que este dia possa não existir. Entretanto, para isto, precisamos que atitudes covardes, como esta e tantas outras, não aconteçam mais.</p>
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		<title>Bronca de quê?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2015 17:11:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fabiana Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[Inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome de Down]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
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			<div><em>Por Fabiana Ribeiro</em></div>
<div></div>
<div style="text-align: left;">Quatro jovens &#8212; uma patricinha, uma certinha filha de pais liberais, um insatisfeito com a escolha profissional e outro que se vê angustiado pela pressão dos pais &#8212; resolvem se juntar a um protesto. Mesmo sem sequer saberem do que se tratava o movimento. Com suas demandas em cartazes, como Wi-fi livre e mais tolerância dos pobres com os ricos, o quarteto se vê como os únicos a participar da manifestação solitária de Guilherme, um jovem com síndrome de Down que deseja ser livre. Esse é o enredo de Bronca de quê? &#8212; peça que fica, em cartaz, no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, até início de agosto. Sob a direção de Ernesto Piccolo, a peça é voltada especialmente para o público jovem e toca em temas como inclusão, sexualidade, diferenças e família. No último domingo, o Paratodos organizou um grupo, de cerca de 40 pessoas, para assistir ao espetáculo.</div>
<div></div>
<div>Com texto simples e linguagem bastante acessível ao público jovem, a peça nos joga no colo estereótipos que carregamos o tempo todo conosco (e dos quais devemos nos livrar urgentemente). E o maior estereótipo é justamente desconstruído com Guilherme. Se a expectativa era de que Guilherme, por ter Síndrome de Down, fosse bobo, inconveniente e sem aptidões e maiores talentos, essa conjectura é frustrada. Para ele, os adjetivos se mostravam outros: irreverente, inteligente, bem articulado e totalmente consciente de seus direitos.</div>
<div></div>
<div>A peça é um convite ao debate. Toca na ferida da inclusão social. Pode se mostrar como início de uma conversa sobre diversidade, tolerância, amizade e solidão. E tantos outros temas que vem junto no pacote da deficiência. Enfim, pede uma pizza depois da sessão &#8212; o que o grupo organizado pelo Paratodos fez após o evento.</div>
<div></div>
<div>Há ainda uma desconstrução de estereótipos mais profunda do que a que vem pela ficção. E dessa vez não é Guilherme que nos afronta com nossas próprias convicções, mas o ator que o interpreta, Pedro Baião. Pedro, 24 anos, é prova viva que, sim, uma pessoa com deficiência pode ter uma profissão e se sair muito bem nela. Basta ter oportunidades. Oportunidades que começam, de pequeno, na escola. É uma escola inclusiva que permitirá que mais Pedros e Marias, seja lá como eles são, consigam ser aquilo que desejam ser.</div>
<div></div>
<div>Talvez assim, com mais diversidade nas escolas, com mais pessoas de todos jeitos chegando ao mercado de trabalho, nós não surpreendamos com a atuação de Pedro no tablado. Quem sabe nós não batamos palmas a cada aparição de Pedro no palco do teatro. Porque a salva de palmas a cada fim de cena sela o nosso preconceito. A cada &#8220;Uh, uh!&#8221; para Pedro fora de hora, estamos dizendo &#8220;nossa, ele consegue, bravo!&#8221;. E por que não conseguiria? Em vez disso, vamos valorizar o seu talento e não a sua síndrome. Enxergar a pessoa e não a sua deficiência.</div>
<div></div>
<div>Longa é a caminhada. Até lá, uma salva de palmas a Pedro. No fim do espetáculo. De pé. Porque, sim, sua atuação em todas as cenas merece homenagens.</div>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div><div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid " style=' text-align:left;'><div class=" full_section_inner clearfix"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">	<div class="vc_empty_space"  style="height: 32px" ><span
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</div></div></div></div></div>
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		<title>Silvia P i l z&#8230;Silvia P l e e a a s e !!!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editoria]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2015 19:20:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Heidi Gorenstein Nigri* Semana caótica na minha vida, resultado de várias outras semanas elaborando uma importante decisão, justamente por sopesar certos valores aos quais temos que nos voltar. Eis que, no meu último dia de trabalho na empresa, em meio ao caos da despedida,&#8230; <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/silvia-p-i-l-z-silvia-p-l-e-e-a-a-s-e/">Continuar lendo<span> Silvia P i l z&#8230;Silvia P l e e a a s e !!!</span></a></p>
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<h6>Por <span class="gI"><span class="gD">Heidi Gorenstein Nigri</span></span>*<br />
Semana caótica na minha vida, resultado de várias outras semanas elaborando uma importante decisão, justamente por sopesar certos valores aos quais temos que nos voltar. Eis que, no meu último dia de trabalho na empresa, em meio ao caos da despedida, olho para o lado e vejo minha colega de trabalho chorando. Corrija-se, minha amiga, há muito deixou de ser apenas uma colega.<br />
Estava tão compenetrada tentando finalizar minhas tarefas, que apenas olhei rapidamente para ela, vi que enxugava as lágrimas por debaixo das lentes dos óculos. Ela balbuciou de forma consternada algo que apenas entendi como&#8230; &#8220;Como pode! As pessoas escrevem cada coisa! Como pode?&#8221;&#8230;. Sem observar melhor e ainda completamente imersa no trabalho, disse, sem voltar-me para ela: &#8220;Por que você lê? Parei de ler coisas que me incomodam muito”. Bem, a vida continuou acontecendo naquele dia louco, nada mais vi, senão a mim.<br />
No dia seguinte, alguém postou um comentário negativo sobre uma &#8216;crônica&#8217; (?) de uma tal de Silvia Pilz. A Silvia. Blogueira do Jornal O Globo. A jornalista e cronista que diz o que pensa. O que pensa.<br />
Minha amiga tem uma filha com síndrome de Down. Pude compartilhar o afogamento daquelas lágrimas.<br />
Imediatamente um diálogo interno se construiu em torno daquele texto podre. Ora, se a Sra. Silvia escreve num jornal de grande porte expressando levianamente seus preconceitos, não há motivos para intimidar meus pensamentos aqui, certo?<br />
Sra. Silvia, acho que me enquadro no seu padrão de conforto. Sou branca, bochechas rosas, sorriso Colgate, altura normal, advogada bem graduada, moro na zona sul, enfim, bem &#8220;normal&#8221;, aquela que passa despercebida, sabe?<br />
Sra. Silvia, você me assusta, pessoas como você me dão medo. De verdade. E, como não sou covarde, não pretendo disfarçar meu estranhamento.<br />
Então, você está cansada do &#8220;politicamente correto&#8221;, seria isso? Qual seria seu desejo? A liberdade de apontar para o anão e dizer: &#8220;Olha ali o anão? Credo!&#8221; Ou, quem sabe, você quer fingir não ver alguém a quem facilmente chamaria de retardado? Ou, quem sabe, você quer voltar a cantar: “Olha a nega do cabelo duro”, durante seu banho de verão? Ou, quem sabe, você gostaria de perguntar aos pais brancos, aqueles que adotaram um mini-afrodescendente da moda, se havia mais de um modelo onde eles adquiriram?<br />
Sra. Silvia, não, não entendi o que você pensa. Você pensa?<br />
Sequer procurei ler qualquer outra coisa que você escreveu ou escreve, por mais “legalzinha” que seja. Porque você me assusta de cara. Porque o que você tenta desabafar queixosamente sobre a “exagerada” época do “politicamente correto”, eu chamo de educação, eu chamo de ser humano. A educação que me esforço diariamente para dar ao meu filho, aos seus amigos, tratando abertamente e ESCLARECIDAMENTE de inclusão, de homofobia, de racismo, de tolerância, de ser humano, de respeitar, sim, as diferenças, as variedades, as necessidades e as capacidades individuais. Por isso, considero uma ofensa pessoal ter um jornal do porte d&#8217; O Globo prestando um desserviço, remunerando alguém como você para deseducar meu filho, para minar meus esforços, manifestando seu preconceito descaradamente sob o cínico manto da palavra “polemizar”. Tsc Tsc Tsc.<br />
Sra. Silvia, já que você está cansada do que é “politicamente correto”, o que se enquadra no meu conceito de educação, permita-me pegar uma carona no seu sentimento, deixando minha educação de lado para lhe mandar &#8230;. Não, não, sou covarde&#8230;<br />
Veja, estamos todos livres para sermos &#8220;deseducados&#8221;, é uma questão de assumirmos as consequências.<br />
É o que sempre tento ensinar e assimilar.</h6>
<h6></h6>
<hr>
<h6>
<span class="gI"><span class="gD">Heidi Gorenstein Nigri</span></span> tem 40 anos, é advogada graduada pela UFRJ e tem um filho adolescente.</h6>
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		<title>Sem palavras, com esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ciça Melo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2015 17:24:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciça Melo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenho que dizer a vocês que determinadas colocações estão me deixando sem palavras. No ano passado, eu havia lido um texto de uma colega que já havia me deixado desconcertada. Agora esta mesma jornalista, volta a agredir pessoas com síndrome de Down. Li o texto&#8230; <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/sem-palavras-com-esperanca/">Continuar lendo<span> Sem palavras, com esperança</span></a></p>
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<div dir="ltr">
<div>Tenho que dizer a vocês que determinadas colocações estão me deixando sem palavras. No ano passado, eu havia lido um texto de uma colega que já havia me deixado desconcertada. Agora esta mesma jornalista, volta a agredir pessoas com síndrome de Down. Li o texto e novamente fiquei atônita.<br />
Confesso a vocês que simplesmente não consigo entender. Leio, releio e penso &#8220;O que teria levado ela a escrever isto?&#8221; No primeiro texto, ela expressava uma opinião, no segundo, a agressão chega a ser sem nexo.<span class="im"><br />
Meu filho de dez anos percebeu que algo estava me incomodando. Perguntou o que era. Passei o celular para que ele mesmo pudesse ler os textos.<br />
</span>Minutos depois, ele fala: &#8220;Que horror!&#8221;. E em seguida faz uma proposta. &#8220;Mãe, você deveria ir conversar com ela. Talvez ela não saiba, não entenda, não conheça. Você poderia explicar.&#8221;<br />
Nova pausa. E mais um comentário: &#8220;Mãe, mas tome cuidado, pessoas assim podem ficar exaltadas. Entretanto, com calma ela poderia entender.&#8221;.<br />
Fica aqui então, o meu convite à jornalista Silvia Pilz do O Globo, para um café, uma conversa. Sem pretensão de mudar sua opinião instantaneamente, mas com muita esperança. Uma esperança quase infantil, minha e do meu filho!</div>
</div>
<div class="gmail_extra"></div>
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		<title>Eu fiz a minha escolha, e você?</title>
		<link>https://www.paratodos.net.br/eu-fiz-a-minha-escolha-e-voce/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carla Codeço]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2014 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carla Codeço]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pois é, a vida tem dessas coisas: quando achamos que estamos no controle de tudo, é exatamente quando somos chamados a relembrar que não. Que o pouco controle que temos é ilusório. Vivemos como que numa montanha russa. Não sabemos se no próximo instante nos espera uma guinada ou uma queda súbita. Puro sabor de aventura. Afinal, que graça teria viver, se tudo fosse programado e já soubéssemos de antemão o que está por vir? <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/eu-fiz-a-minha-escolha-e-voce/">Continuar lendo<span> Eu fiz a minha escolha, e você?</span></a></p>
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<p>Pois é, a vida tem dessas coisas: quando achamos que estamos no controle de tudo, é exatamente quando somos chamados a relembrar que não. Que o pouco controle que temos é ilusório. Vivemos como que numa montanha russa. Não sabemos se no próximo instante nos espera uma guinada ou uma queda súbita. Puro sabor de aventura. Afinal, que graça teria viver, se tudo fosse programado e já soubéssemos de antemão o que está por vir?<br />
Vivendo intensamente constatei que estou grávida. Mais um presente para dar ainda mais sabor à vida. Uma nova gestação num momento de vida em que vinha me dedicando muito aos outros e tão pouco a mim mesma. Priorizando os filhos, o marido, o trabalho, escrever, os grupos de discussão sobre síndrome de Down. Recebi o impacto da iminente mudança brusca. Parada obrigatória. Parada para me concentrar em mim mesma.<br />
E mergulhei com tudo nesta nova aventura. Quando começo a vivenciar a nova experiência, algumas interações com outras pessoas me chamam atenção. Comentários ressaltando a minha co-ra-gem. Mas, hein, que coragem? Cheguei a ouvir numa conversa a referência à fulana que teve seu primeiro filho com Down e, mesmo assim, teve a coragem de ter mais um. “Corajosa ela, né?” Confesso que demorei a entender. Depois da breve explicação, fiquei com a pulga atrás da orelha, pensando, pensando&#8230; Então, sou corajosa por estar grávida, apesar, friso, apesar de já ser mãe de uma criança com deficiência. É essa a definição para muitas pessoas de mãe-coragem.<br />
Porém, seria coragem mesmo? Fez-me pensar nessa ilusão do controle absoluto novamente. Afinal, filho é filho. A gente não escolhe. Ou melhor: não deveria escolher. Há os que explicam: “Mas ela está arriscando. E se nascer outro filho com deficiência? É corajosa por se arriscar a ter dois problemas!” Hã? Problema?! Mas, pense bem, se você tem um filho e ele, em consequência de algum acidente ou sequela de alguma doença, passa a ter alguma deficiência? Ele passa a ser menos filho? Deixa de ser SEU filho? Definitivamente, filho não é problema, tenha ou não tenha alguma deficiência.<br />
Disso tudo, eu tiro uma coisa: sou corajosa. Não por ter mais um filho. Mas por lutar pelos direitos de cada um deles. Por enfrentar os preconceitos de um mundo de tantos iguais. Por não aceitar nenhuma forma de exclusão. Por não acatar estereótipos, estigmas, limites a nenhum deles. Por acreditar no potencial de cada um. Por simplesmente amar cada um dos meus filhos do jeito que são, a despeito do universo a meu redor.<br />
É ilusão achar que temos tudo sobre controle. Pra não dizer que não temos como escolher nada, temos uma escolha a fazer. Escolher viver plenamente ou viver remoendo problemas criados por nós mesmos. Esta escolha, sim, é nossa. Viver é isso: aceitar os desafios e mergulhar de cabeça ou ficar remoendo como poderia ter sido, se nada disso tivesse acontecido a você. Eu fiz a minha. E, se achar que isso é sinal de coragem, tudo bem, meu bem.</p>
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		<title>Uma resposta a Richard Dawkins</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editoria]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Aug 2014 15:40:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Convidado]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[evolução]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome de Down]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas redes sociais, ainda reverberam discussões sobre a polêmica declaração do biólogo evolucionista Richard Dawkins. Na semana passada, o cientista recomendou, em uma discussão no twitter, o aborto no caso de uma gravidez de uma criança com síndrome de Down. &#8220;Seria imoral trazê-la ao mundo se&#8230; <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/uma-resposta-a-richard-dawkins/">Continuar lendo<span> Uma resposta a Richard Dawkins</span></a></p>
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<p>Nas redes sociais, ainda reverberam discussões sobre a polêmica declaração do biólogo evolucionista Richard Dawkins. Na semana passada, o cientista recomendou, em uma discussão no twitter, o aborto no caso de uma gravidez de uma criança com síndrome de Down. &#8220;Seria imoral trazê-la ao mundo se você tivesse uma escolha.”, sentenciou. Imediatamente surgiram diversas linhas de discussão sobre o tema.<br />
Interessante ver como diferentes visões deram origem a linhas de pensamento também distintas. Me senti na obrigação moral de entrar nesta discussão também, já que sou biólogo, evolucionista e pai de um menino que tem Síndrome de Down.<br />
Entendo, embora discorde, a perspectiva do Dawkins. Não me espanta sua opinião ainda que a lamente profundamente. Ela reflete o que pensam muitas pessoas &#8212; de médicos, geneticistas e cientistas a cidadãos comuns. E, não bastasse o peso científico das palavras de Dawkins, a extrapolação para uma filosofia de pouca reflexão arrasta os desavisados. Ele se utiliza de uma conceituação pretensamente moral sobre “…o desejo de aumentar a soma de felicidade e reduzir o sofrimento…”. Nesta perspectiva, ele acredita que ”a decisão de deliberadamente dar à luz o bebê com Down, quando você tem a chance de abortar no começo da gravidez, pode realmente ser imoral do ponto de vista do próprio bem estar da criança”.<br />
Assim, pressupõe sofrimento para a criança em gestação e para os pais. Nada mais longe da realidade. Porém, é o que pode transparecer a quem não vive o cotidiano com qualquer pessoa com deficiência. O medo do desconhecido é um motivador evolutivo poderoso e faz repelir o diferente. Em especial para aqueles que estudaram ciências biológicas e medicina no século XX, a perspectiva de alterações cromossômicas é terrível. Lembro dos livros que desumanizavam por completo as pessoas com alguma alteração. Certamente uma decorrência de uma perspectiva Neo-Darwinista que beira o Darwinismo Social.<br />
Não sou filósofo de formação, mas, até onde sei, moral e ética derivam de costumes socialmente aceitos. Mesmo assim, e talvez principalmente por isso,  não basta que o aborto seja considerado legal, como é nos EUA, para que a decisão de ter ou não um bebê com Down se torne apenas um dilema pessoal. Seria um dilema pessoal, se a sociedade como um todo não julgasse o nascimento de uma criança com Down uma desgraça. A postura de Dawkins reforça o imaginário coletivo no sentido de considerar o aborto algo natural quando há possibilidade do nascimento de um bebê com síndrome de Down. Afinal, segundo esta visão, a pessoa com Down apenas traria sofrimento para si e para sua família. É preciso desmistificar a opinião geral de sofrimento. E isso as diversas associações e coletivos de parentes, amigos e pessoas com síndrome de Down têm feito de forma brilhante.<br />
Meu papel de pai me compele a mostrar e demonstrar que ter um filho com Down está longe de ser uma desgraça. Aliás, com nenhuma &#8220;deficiência&#8221; seria. É apenas um detalhe. Não se trata de um detalhe desprezível, mas é infinitamente menos importante do que ter um filho. Filhos são responsabilidades e preocupações para sempre. Tenham eles alguma condição de deficiência ou se tornem altos executivos ou cientistas brilhantes. As preocupações e orgulhos não são exatamente as mesmas, entretanto, estão lá, e na mesma intensidade.<br />
Como disse um amigo, faltou a Dawkins algum estudo na área de humanas. E eu complemento: faltou também a experiência prática de convivência com alguém com Down. Não por ser nenhum tipo de experiência iluminadora, mas apenas por espantar fantasmas. E, hoje em dia, convenhamos, fantasmas não assustam mais ninguém.</p>
<hr />
<h6><em>* Carlos Figueiredo é biólogo, professor e pai do Rafael e da Joana. O texto, na íntegra, pode ser lido em </em><br />
<em><a href="http://carlosaugustofigueiredo.tumblr.com/post/95827636303/nesta-ultima-quinta-feira-o-eminente-biologo" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://carlosaugustofigueiredo.tumblr.com/post/95827636303/nesta-ultima-quinta-feira-o-eminente-biologo<br />
</a></em></h6>
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		<title>Quem sou eu?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carla Codeço]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2014 10:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carla Codeço]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[Paratodos]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome de Down]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sou mãe de dois. E ser mãe é assim: a gente se preocupa com problemas reais, que estão acontecendo no momento com nossos filhos, mas também se preocupa com problemas futuros. Até mesmo com possibilidades de problemas futuros. Essa sou eu. Mãe, deveras preocupada e antecipadora&#8230; <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/quem-sou-eu/">Continuar lendo<span> Quem sou eu?</span></a></p>
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<p>Sou mãe de dois. E ser mãe é assim: a gente se preocupa com problemas reais, que estão acontecendo no momento com nossos filhos, mas também se preocupa com problemas futuros. Até mesmo com possibilidades de problemas futuros. Essa sou eu. Mãe, deveras preocupada e antecipadora de problemas.<br />
Pois bem, estava eu antecipando problemas e preocupada, após conversa com a terapeuta de meu filho que está prestes a fazer nove anos e tem síndrome de Down. Conversávamos sobre os sinais de maturidade que ele vem apresentando e que começa a se dar conta de quando, ao interagir com alguém, perceber se é aceito ou não. Se estão rindo junto com ele ou se estão rindo dele. Se o tipo de convívio o valoriza ou o infantiliza. Maturidade e despertar onde o olhar da família e o dele próprio sobre quem ele é não são mais suficientes. É hora de ganhar o mundo e se reconhecer através dos olhos dos pares, através dos olhos dos outros.<br />
E eu comecei a matutar e remoer pensamentos sobre como ele vai lidar com esta nova imagem construída dele mesmo. Se esta imagem fará jus à pessoa maravilhosa que é ou se o reduzirá a uma deficiência.<br />
Eis que um acontecimento me puxa de volta para o agora. Tira-me da batalha com os problemas possíveis, ainda não reais, e me mostra de forma clara que imagem é esta que as pessoas de seu convívio têm dele.<br />
Na turma de 3º ano da qual o Rafael faz parte, houve uma eleição para representante de turma. A princípio os meninos nem poderiam se candidatar já que lideravam o ranking de mau comportamento. Depois de muita reflexão da turma, os meninos foram liberados para participar. Ao Rafael foi perguntado se gostaria de se candidatar a representante de turma. Ao que ele respondeu com firmeza e convicção que sim. Imediatamente a turma se animou e formou torcida organizada comemorando a inciativa do meu rapazinho. O voto foi secreto. Cada criança depositou seu papelzinho na urna. Teve início a apuração dos votos. Rafael aos poucos liderou a disputa se colocando 10 votos à frente do candidato logo atrás dele numa turma de 20 alunos. A cada voto lido a turma gritava o nome dele e torcia. Ganhou em disparada. E não é que o danadinho ainda teve a generosidade de votar, não em si mesmo, mas em seu melhor amigo?!<br />
Estou certa de que neste despertar para o olhar do outro sobre si, meu filho teve, neste dia, a certeza de que é respeitado e admirado do jeitinho que ele é. Tendo Down e enxergando muito pouco. Sendo ele mesmo.</p>
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		<title>E se existisse uma cura?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carla Codeço]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2013 12:32:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carla Codeço]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[barreiras atitudinais]]></category>
		<category><![CDATA[cura]]></category>
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		<category><![CDATA[filho]]></category>
		<category><![CDATA[Inclusão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De uns tempos pra cá tenho visto com certa frequência reportagens cujas manchetes anunciavam uma possível cura para a síndrome de Down (SD). Elas se referiam a pesquisas diferentes. Pelo menos três. Foi inevitável parar para pensar e avaliar o efeito destas notícias na minha&#8230; <a class="continue" href="https://www.paratodos.net.br/e-se-existisse-uma-cura/">Continuar lendo<span> E se existisse uma cura?</span></a></p>
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<p>De uns tempos pra cá tenho visto com certa frequência reportagens cujas manchetes anunciavam uma possível cura para a síndrome de Down (SD). Elas se referiam a pesquisas diferentes. Pelo menos três. Foi inevitável parar para pensar e avaliar o efeito destas notícias na minha vida. Seriam notícias boas as que anunciavam a possibilidade de “desativar” a síndrome do meu filho? Como seria ele, sendo ele mesmo, mas sem a SD? Seria ele mesmo ainda? Ou será que eu teria, após a deglutição de uma pílula milagrosa, um novo filho? Nascido aos oito anos de idade? Não. Não quero curar meu filho. Por outro lado, estou cansada. Sim, muito cansada! E esta maternidade me cansou mais do que a primeira, não posso negar. Mas por quê? Se olho apenas pro meu filho, esta cura que buscam me parece desnecessária. Inútil mesmo.</p>
<p>Logo que ele nasceu, achei que teria muitas dificuldades a enfrentar em decorrência do que ele não seria capaz de fazer. Hoje vejo que Rafael dá conta de tudo que é de sua responsabilidade. Precisa de uma ajuda?! Precisa, mas faz tudo. Foi um bebê ótimo e hoje é uma criança ótima também. Brinca, faz má-criação, birra, dá muitas alegrias, encanta todos da família e as pessoas que têm a oportunidade de conhecê-lo e permitem uma aproximação. O que me tira o sono hoje em dia não é ele. Não é a ajuda extra que tenho que demandar por ele. Mas e se olho para o mundo que o cerca?</p>
<p>A escola, o parquinho, as pessoas à nossa volta? Sim! Adoraria ler nos jornais uma manchete que anunciasse uma cura para as barreiras atitudinais. Esta cura, sim, me deixaria, ansiosa, cobiçando o remedinho milagroso. Eu não precisaria mais batalhar repetidas vezes para mostrar que, sim, meu filho é apenas mais uma criança de oito anos e não um “bicho de sete cabeças”. Este remédio eu levaria com toda a alegria do mundo, junto com um copo d’água, para que a escola engolisse. Assim pararia de buscar uma <i>receita de bolo</i> para educar o meu filho, já que aos olhos da escola ele não pode ser educado como os demais. Como se as particularidades dele fossem mais peculiares que as dos outros tantos da mesma turma.</p>
<p>Levaria também para as mães do parquinho que ficam incomodadas com a proximidade do meu filho, para que elas engolissem. Ah, levaria também para as pessoas que fingem não escutar quando ele educadamente cumprimenta e tenta iniciar uma conversa. Se as reportagens estivessem anunciando a cura destas barreiras, aí sim causariam um rebuliço e uma corrida frenética para a compra deste remédio, eu garanto! Mas, pensando bem, eu também precisei de uma cura quando dei à luz um filho que não se encaixava na imagem preconcebida que eu tinha do meu segundo filho. Eu era uma mãe assustada, paralisada, que já não permitia que o sentimento de maternidade fluísse e seguisse naturalmente me fazendo não hesitar em ser mãe. Como iria educar um filho diferente? Como seria o futuro deste bebê? E sabe onde encontrei minha cura? No meu próprio filho.</p>
<p>Foi só olhar pra ele. Mas olhar pra ele mesmo, não apenas de relance. Foi enxergá-lo além da deficiência. Foi enxerga-lo como pessoa em primeiro lugar e não apenas visualizar a imagem preconcebida que se tem de uma criança com síndrome de Down. Então, talvez, ele mesmo seja a pílula dourada. Basta ter olhos de ver. E esta receita de cura serve pra qualquer um e tem efeito muito mais eficaz do que qualquer pílula. Por isso ele precisa estar junto das outras crianças de hoje que serão os adultos do futuro. Em todos os espaços. Para que a sociedade o enxergue por inteiro e não somente a sua deficiência.</p>
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