O BBB, o Big fone e a inclusão

BBB fone

O BBB, o Big fone e a inclusão

por Fabiana Ribeiro*

 

Quem acompanha o BBB sabe muito bem a importância do Big Fone – telefone fixo que toca no programa com alguma mensagem da produção (em geral, emparedar alguém). Então, diante da possibilidade de eliminar um rival, os participantes ficam na fissura por atender essa ligação. Para tanto, uns ficam de olho no aparelho; outros ficam plantados perto do telefone e todos, ao sinal do primeiro toque, disparam em sua direção. Até aí, tudo normal. Mas o que acontece quando um dos participantes está com pé quebrado?

Nada.

Nada.

N-a-d-a.

Infelizmente, nada.

O telefone toca. E vocês que lutem.

Agora, vamos pensar juntos? Existe um candidato que não tem como correr para atender o Big Fone. Trata-se do Caio, que machucou o pé esquerdo durante uma das provas do líder do BBB. Imobilizado, ele segue participando de outras disputas, tendo recebido apoio da emissora durante a prova que o tornou Anjo nessa semana. Mas como alguém que está com o pé quebrado conseguirá correr, em iguais condições, para atender a tão esperada chamada do Big Fone? Ligação, aliás, que pode ajudar a eliminar quem não chegou a tempo para ouvir as instruções da produção.
Então, diante deste quadro, estão todos concorrendo ao prêmio de R$ 1,5 milhão em iguais condições? Eu diria que não. E olha quem nem torço para o Caio. Mas saber que ele pode estar no próximo paredão porque não correu na mesma velocidade que os demais concorrentes me deixa bem desapontada com o BBB.

Dizem que o BBB é um reflexo da nossa sociedade. Sempre achei meio exagero. Mas sempre foi uma ótima desculpa para assistir ao reality. Porém, neste momento, é exatamente o que vejo: a nossa sociedade desigual e nada empática.

Assim como no BBB, milhares de pessoas são impedidas de atender os Big Fones de suas vidas. E assim é na escola com milhares de alunos que, sem acessibilidade, ficam de fora de qualquer disputa. Imobilizados em suas próprias condições, ficam de fora da maior disputa de suas vidas – que valem mais, bem mais do que R$ 1,5 milhão. Ficam distantes do seu próprio futuro.

Eu nao sei que alternativa eu criaria ao Big Fone. Não sou da produção do BBB. Mas sei que não é nada justo ter uma prova em que nem todos os participantes podem atuar com as mesmas chances de ganhar. Injusto, para dizer o mínimo. Tampouco sou pedagoga. E nao sei como fazer com que milhares de alunos atendam essa ligação. Mas sei que a TV Globo perdeu uma oportunidade de ensinar para milhões de pessoas o que é INCLUSÃO e EQUIDADE.

 


* Fabiana Ribeiro é jornalista com mestrado em Ciências Sociais e fundadora do movimento Paratodos
Convidado/a
paratodos@paratodos.net.br


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