Nas Amarelas finalmente

Capa de reportagem sobre professora com Síndrome de Down.

Nas Amarelas finalmente

Eis que a deficiência foi parar na Veja. E é Débora quem representa milhões de pessoas com deficiência que lutam por um espaço nas páginas amarelas das suas vidas. Mas a expectativa de uma boa leitura ficou ali pelo editorial e ainda na introdução da entrevista. Só que, quando nos deparamos com a entrevista em si, ai, que frustração.
Será que é tão difícil assim acreditar que seria viável uma entrevista com perguntas instigantes?! Uma mulher de 34 anos que estudou, tem 10 anos de carreira e, ainda por cima, faz palestras motivacionais…! Que já falou para públicos diversos e de diversos países como Brasil, Argentina, Portugal e Estados Unidos?! Tendo, inclusive uma fala na sede da ONU em Nova York, pelo Dia Internacional da Síndrome de Down. Certamente esta pessoa tem muito conteúdo para prender a atenção de nós, leitores, atrair nosso interesse. Mas a jornalista certamente não partilhava desta mesma perspectiva.
Quando mergulhei na leitura da entrevista, foi uma decepção só. Perguntas pueris e infantilizantes. Por que será?! O preconceito da jornalista ficou registrado através das linhas escritas nas amarelinhas. Que pena! Sem falar dos termos usados que estão pra lá de obsoletos! Portador?! Anomalia?! Necessidades especiais?! Não se esqueça que a pessoa com deficiência é uma pessoa como qualquer outra. E deve ser valorizada como tal ao invés de ser subtraída por ideias limitantes pre concebidas. Está aí a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência que não nos deixa esquecer.
Mas nem tudo está perdido. Débora continuará encantando e esclarecendo muita gente em suas palestras sobre inclusão. Continuará seguindo em frente, conquistando cada vez mais autonomia e realizando seus sonhos, inclusive o de sair sozinha e, certamente, terá outros tantos sonhos a conquistar.
Falo não só da Débora, mas também de tantas outras pessoas com deficiência que estão aí, neste mundão a mostrar que são pessoas como tantas! A mostrar pra muito jornalista que vale sim estudar, se atualizar e se preparar para entrevistar uma pessoa com deficiência intelectual. Acreditar no potencial das pessoas é sempre a melhor opção!
Estes dias me deixei surpreender pela leve e bem humorada campanha da ALESC “Todos somos iguais porque somos diferentes”, super bem humorada que sacode a poeira de qualquer ideia pre concebida:

 

Por Carla Codeço e Ciça Melo
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