Gente. Simples assim.

Gente. Simples assim.

Desde que o mundo é mundo, existe todo tipo de gente. Com os mais diversos costumes, aparência e interesses. Com tanta diversidade, difícil saber o que esperar quando se trata de um grupo. O que agrada? O que funciona?
Com tantas particularidades, não tem como pensar que pode ser simples trabalhar com gente. Sim, com gente. Desde agradar o paladar de clientes de um restaurante até educar e formar este grupo tão diverso. Durante muito tempo, a educação foi pensada para compor a força de trabalho. Neste objetivo, a “educação” buscava atingir um padrão minimamente satisfatório para os meios de produção e, para isso, homogeneizava turmas seriando por idade, dividindo o assunto por matéria, por complexidade e por aí vai.
Mas, com o passar do tempo, temos visto que o caminho não é este. Penso que é justamente o inverso. Em vez de insistir em homogeneizar os alunos para poder educar a massa, o caminho é olhar para o indivíduo, educar o indivíduo, e, com isso, formar pessoas independentes e plenas.
Entendo que ainda estamos num processo de transição e que a nova prática de educação, baseada em uma filosofia de emancipação, ainda está sendo construída e até mesmo pensada.
Mas e enquanto a escola não está pronta? Como fazer para atender um grupo tão heterogêneo? De alunos superdotados a alunos com dificuldade de aprendizagem. Com os mais variados ritmos de aprendizagem e os mais variados interesses? A resposta é que ninguém sabe como fazer. Várias formas estão sendo experimentadas, para, então, se chegar a um caminho satisfatório.
Enquanto isso, o que fazem as famílias que têm filhos com deficiência? Escondem a criança em casa? Juntam-se em escolas especiais, guetos de minorias? Ora, se as escolas dizem ser difícil atender a uma turma de 30 alunos que recebe uma criança com deficiência, não consigo imaginar como seria a aula numa turma com 30 alunos, todos com deficiência, reunidos na mesma sala, numa mesma escola. Fato é que muitas escolas rejeitam matrícula ou solicitam a contratação de um profissional de apoio, pago pelos pais, alegando que não estão preparadas. Se parássemos pra pensar, nós também não estávamos preparados para sermos pais de uma criança com deficiência, mas usamos nossos parcos conhecimentos de pais de segunda viagem, muito amor e vontade de fazer o melhor e tem dado muito certo!
Entendo que não é simples educar este grupo tão heterogêneo. Mas imagine se a moda pega! Se alguém com uma doença complexa entra no hospital e recebe a notícia: “Olha, não estamos preparados para receber um paciente como você”.
Desde que o mundo é mundo existe todo tipo de gente. Desde que existem hospitais e escolas estes existem para atender nada mais nada menos que GENTE!

Carla Codeço
carla@paratodos.site.com.br