Carta aberta à Facha

Carta aberta à Facha

Elisa está marcada. A advertência que levou da Facha, por não se calar diante de uma fala preconceituosa da professora, lhe deixa uma marca. Não uma nódoa no currículo. Não um atestado de má aluna. Sai marcada como se, nela, tivessem bordado uma letra escarlate do bem. Já a Facha, prezados senhores, sai manchada. Deu voz ao preconceito, ao desrespeito e à impunidade. Escolheu o caminho da intolerância e da sordidez dos preconceituosos.
Um exército sai em defesa de Elisa. Inclusive nós, do Paratodos. Romário, Movimento Down, RJDown, OAB. Alunos. Gente ao redor. E, por que será? Porque, prezados senhores, não há mais espaço para uma fala dessas. Não mais. Se alguém ainda pensa da mesma forma que a professora da sua faculdade pensa, que se cale. Isso dá cadeia. Portanto, é hora de rever o corpo docente. É hora de rever os próprios valores.
Os pais, prezados senhores, tiraram seus filhos do porão. E esses filhos estão ávidos por aprender. São gente de todas as formas, jeitos, gênero, cor, religião e, sim, deficiência. Com a Lei Brasileira de Inclusão (a queridíssima LBI), isso fica mais fácil – ou menos difícil. Assim como processos, prisões e advertências genuinamente verdadeiras e justas. Porque a advertência que os senhores deram à jovem Elisa deve ir para sala de troféus da família: uma marca da coragem de se expor.
Senhores, não se orgulhem apenas de seus corredores para pessoas com cadeiras de rodas e andadores. Eles são ótimos mesmo. Mas tenham em mente que, em breve, crianças que hoje estão nas escolas, mais inclusivas do que outrora, poderão ser alunos de seus professores. E uma visão tão torta e cruel deve ser exorcizada, de vez, de todos os meandros da Educação.
Nós, do Paratodos, queremos olhar para a advertência de Elisa como um marco. Um marco de que a Facha pode mergulhar de vez na inclusão. Rever suas certezas. Não dar brechas para atitudes como as vivenciadas em sala de aula num fatídico dia de agosto. E jamais, definitivamente, jamais culpar um aluno por defender a ética, a diversidade e o respeito ao outro.
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