A via crucis dos medicamentos

A via crucis dos medicamentos

A maioria está acostumada: para dor de garganta, use o remédio X; para dor de barriga, remédio Y; no caso de dor de ouvido, remédio Z. É claro que sempre há mais de uma opção, sem falar nos genéricos. E, naturalmente, os médicos podem discordar sobre qual a opção seria a mais indicada para essa ou aquela doença. Entretanto, alguns medicamentos, voltados para questões psíquicas ou comportamentais, dependem muito das reações dos pacientes. E, mais ainda, quando há vários remédios combinados.
Acertar os medicamentos é o desafio que minha família enfrenta no momento. Até porque a resposta não é necessariamente imediata ou óbvia. Ou é. Depende de cada um. Cheguei a fazer as contas das possíveis análises combinatórias e, caso apenas a última possibilidade fosse a correta para o nosso caso, demoraríamos dois anos para acertar na combinação dos medicamentos. Isto sem mencionar a questão da dose. Uma outra novela.
Que angústia! E, se temos ainda dúvida quanto a dar ou não um remédio, afinal, é comum uma certa resistência a medicar uma criança, esta “incerteza” do remédio é ainda mais crucial. Pior ainda quando os primeiros não dão certo. Por vezes, as reações são ainda piores. Às vezes, novas questões aparecem. E, com eles, novas dúvidas surgem num novo ciclo de incertezas… E, nessas horas, uma rede de apoio é o que os pais mais precisam – seja em casa, com parentes e amigos ou dentro da escola.
Só ficamos mais tranquilos quando vemos um remédio funcionar. De forma clara e constante. Quando seu filho não consegue terminar nenhum dever e, de repente, com o remédio, passa a fazer o dever todo e vem feliz correr para te mostrar como ficou lindo. Isto não tem preço! Isto vale cada gota de um remédio!
Haverá sempre escolhas. Fundamental é pesar os prós e os contras. Conversar com os médicos — e com a escola. Perceber mudanças no comportamento. Pescar no ar alterações de humor. Sentir se o filho está feliz. E avaliar com calma, caso a caso, os benefícios e malefícios de um medicamento. Análise mais, bem mais, muito mais complexa do que decidir entre Novalgina ou Tylenol.

Ciça Melo
cica.melo@paratodos.net.br